Parte 3 – Microbiota Intestinal


A flora intestinal inflamatória, induzida pela dieta ocidental rica em carboidratos densos acelulares, possa ser o fator iniciador da resistência à leptina que caracteriza as pessoas que consomem dietas ocidentalizadas. uma vez que a flora inflamatória esteja estabelecida, aí sim o consumo de gorduras (especialmente as refinadas) aumentaria a absorção de LPS’s, o que tornaria uma dieta rica em ambos, carboidratos acelulares densos e gordura, altamente obesogênica. A retirada total dos carboidratos acelulares densos tenderiam a restaurar uma flora intestinal menos inflamatória, resistente aos efeitos exacerbatórios da gordura sobre a obesidade. Parece haver uma relação não-linear entre o consumo de carboidratos acelulares densos e a flora inflamatória, de modo que mesmo pequenas quantidades parecem induzir resistência à leptina. As pessoas de descendência europeia parecem ter desenvolvido algum grau de resistência a esses efeitos quando comparados aos caçadores-coletores; nos europeus, em geral, a obesidade e a franca diabetes só aparecem quando, além de comerem pão, substituem as demais fontes de carboidratos celulares (frutas e vegetais) – por fontes de carboidratos acelulares densos: açúcar, farináceos e comidas processadas com óleos refinados. A adoção dos carboidratos acelulares densos produziu uma epidemia de cáries a partir do neolítico. O mesmo fenômeno que ocorre no intestino, ocorre na boca – a indução de uma flora altamente inflamatória. Patologias gengivais (periodontal) são altamente correlacionadas com doença cardiovascular, obesidade e diabetes.
A dieta mediterrânea é um pouco melhor que a dieta ocidental padrão, devido à inclusão de mais carboidratos celulares no lugar de carboidratos acelulares densos e gordura, e ênfase em pães um pouco menos densos No entanto, uma quantidade suficientemente grande de carboidratos acelulares densos permanece, mantendo a microbiota intestinal inflamatória e prevenindo redução significativa da leptina, isso explica a necessidade de manter a restrição calórica voluntária na dieta mediterrânea para evitar o ganho de peso. Uma dieta Low Carb reduzirá drasticamente os carboidratos acelulares densos como um efeito colateral de reduzir todos os carboidratos, isso reduziria a flora intestinal inflamatória, com perda de peso sem restrição consciente das calorias e melhora dos marcadores metabólicos, entretanto, dietas Low Carb retêm alguns carboidratos (tipicamente de 20-50g/d), sem preocupações quanto à sua densidade, significando que a pequena quantidade de carboidratos que são mantidos na dieta, se forem densos, podem manter a flora inflamatória e, assim, ter o efeito aditivo das gorduras que facilitam a passagem dos LPS’s para a corrente sanguínea. Possivelmente, explica o “platô” (a parada de perda de peso) que frequentemente se verifica nas dietas Low Carb, inclusive com o reinício do ganho de peso mesmo mantendo os carboidratos baixos. Mais uma vez, uma dieta paleolítica seria capaz de reverter a microbiota intestinal para um perfil menos inflamatório na adoção inicial da mudança alimentar, ocidentais com sobrepeso podem inicialmente beneficiar-se de uma dieta páleo Low Carb, entretanto, com o tempo (e assumindo que a pessoa não tenha o pâncreas permanentemente prejudicado pelo diabetes), a restauração da sensibilidade à insulina deve permitir a reintrodução de níveis maiores de frutas e raízes não-refinadas.
Isto é justamente o que tem sido relatado, de forma anedótica, pelas pessoas que adotam uma dieta páleo, e é compatível com o que se observa na ilha de Kitava. A importância da celularidade e da baixa densidade  dos carboidratos poderia explicar porque suplementar fibras e antioxidantes não funciona – pois não afetam a flora intestinal da mesma forma que os carboidratos acelulares densos intactos (células vegetais íntegras). Em outras palavras, as células vegetais devem estar íntegras – separar industrialmente a fibras e o amido e depois juntar novamente não tem o mesmo efeito.